Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 41 do Enem 2025 PPL: o “faiá” de Gilberto Gil

Enem 2025 PPL · 1º dia · caderno azul · Língua Portuguesa · Variação linguística

Nos outros cadernos: amarelo 33 · verde 45 · branco 38 · laranja 38

Só quer conferir? Ver o gabarito

E defende a adequação da variedade não padrão na letra da canção.

Andar com fé

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá

Gravada por Gilberto Gil no seu LP Um banda um (WEA, 1982) (fragmento).

COMENTÁRIO: A fé e a “faia” — O uso do “faiá” é assumido com a intenção de legitimar uma forma popular contra a hegemonia do bem falar das elites. É uma homenagem ao linguajar caipira, ao modo popular mineiro, paulista, baiano — brasileiro, enfim — de falar “falhar” no interior. É quase como se a frase da canção não pudesse ser verdade se o verbo fosse pronunciado corretamente — o que seria um erro… Outro dia cometeram esse “deslize” na Bahia, ao utilizarem a expressão na promoção de uma campanha de cinto de segurança. Nos outdoors, saiu: “A fé não costuma falhar” (a propaganda associava o cinto à fitinha do Senhor do Bonfim). Eu deixei, mas achei a correção desnecessária.

GILBERTO GIL. Todas as letras. São Paulo: Cia. das Letras, 2022.

No comentário de Gilberto Gil sobre o uso de “faiá”, o compositor

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

O que Gil faz no comentário sobre “faiá”.

O que o texto diz

  • “O uso do ‘faiá’ é assumido com a intenção de legitimar uma forma popular”.
  • “É quase como se a frase da canção não pudesse ser verdade se o verbo fosse pronunciado corretamente — o que seria um erro…”
  • Sobre o outdoor com “falhar”: “achei a correção desnecessária”.

A resposta

Para Gil, o “faiá” é a forma certa naquela canção, por homenagear o falar caipira. Ele defende a adequação da variedade não padrão na letra da canção.

Alternativa E.

E Gabarito: alternativa E

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    Foi a errada mais marcada. Ele contesta a hegemonia do “bem falar”, mas o foco é valorizar a forma popular, não atacar a fala das elites. (18,3% marcaram)

  • B

    Ele homenageia a linguagem popular, não a problematiza. (4,2% marcaram)

  • C

    A peça usou “falhar”, forma padrão; o “deslize” de que fala com ironia é ter corrigido. (5,8% marcaram)

  • D

    Ele “deixou” usar o verso na campanha. (2,9% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 312 candidatos que fizeram a prova.

Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.

Dificuldade pela TRIFácilParâmetro B: 490 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 45ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram67,9%dos candidatos marcaram a E
Habilidade 26 · Competência 8Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
Como os candidatos responderam
  • A18,3%
  • B4,2%
  • C5,8%
  • D2,9%
  • E67,9% ✓ gabarito

Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0,3%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50042,4%
  • 500 a 60066,4%
  • 600 a 70086%
  • 700 ou mais100%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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