Questão 20 do Enem 2025: a “língua de santo” dos candomblés
Nos outros cadernos: amarelo 16 · verde 19 · branco 13 · laranja 13
A característica fundamental no aprendizado das práticas rituais nos candomblés é o processo iniciático e participante. Durante o período de reclusão em terreiros ou rocas, o iniciado passa por uma série de ritos esotéricos (banhos rituais, raspagem da cabeça etc.), ao mesmo tempo em que começa a adquirir um complexo código de símbolos materiais (substâncias, folhas, frutos, raízes etc.) e de gestos associados a um repertório linguístico específico das cerimônias que se desenrolam nos contextos sagrados em geral e em cada terreiro em particular.
Esse repertório linguístico, genericamente chamado de “língua de santo” na Bahia, compreende uma terminologia religiosa operacional, de caráter mágico-semântico e de aparente forma portuguesa, mas que repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata, vindo a constituir uma língua ritual, que se acredita pertencer à nação do vodum, do orixá ou do inquice, e não a determinada nação africana política atual.
Disponível em: https://periodicos.ufba.br. Acesso em: 21 jan. 2024 (adaptado).
A “língua de santo” tem sua importância para o patrimônio linguístico brasileiro por
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Resolução comentada
O que a questão pede
Por que a “língua de santo” importa para o patrimônio linguístico do Brasil.
O que o texto diz
A “língua de santo” tem “aparente forma portuguesa”, mas “repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata”.
A resposta
Nos terreiros, sobrevivem palavras das línguas que os africanos escravizados trouxeram para o Brasil e que deixaram de ser faladas no dia a dia. A língua de santo é importante por conservar elementos dos falares dos escravizados.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O caráter mágico é da função religiosa da língua; o valor para o patrimônio linguístico está na origem das palavras. (11,4% marcaram)
- C
A forma é só “aparentemente” portuguesa; a base do vocabulário é africana. (8% marcaram)
- D
Foi a errada mais marcada. A língua faz parte do ritual; ela não serve para decifrá-lo. (18,6% marcaram)
- E
O texto diz que ela não pertence a nenhuma nação africana atual. (13,8% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.389.296 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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