Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 30 do Enem 2025: o verbete urucum e os Wajãpi

Enem 2025 · 1º dia · caderno azul · Língua Portuguesa · Variação linguística

Nos outros cadernos: amarelo 24 · verde 31 · branco 33 · laranja 33

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B definição de um termo na perspectiva ancestral indígena.

Uruku
Urucum
Rocou
(Bixa orellana)

Moju, dono da água, não gosta do cheiro de urucum. Mani’ojarã, dono da mandioca, e os donos das outras plantas cultivadas também não. Eles não suportam. Por isso, os Wajãpi se untam de urucum, deixam o rosto vermelho e se perfumam com seu aroma agradável. Além disso, os seres agressores, os jarã (donos) e os espíritos terrestres, gostam do cheiro dos fluidos humanos, do sangue, do suor. Então, o urucum os dissimula, protegendo as pessoas que vão caçar, caminhar pela floresta, que estão sendo perturbadas por espíritos em sonhos ou que estão em resguardo, como os doentes. O seu uso é tão cotidiano que os Wajãpi o plantam na aldeia, para ter sempre pertinho. Como o urucum não tem jarã, não tem problema nenhum em arrancar e usar para pintar.

STRAPPAZZON, A. I.; SIGOLO, R. P. Jardins da história: medicinas indígenas. Recife: ObservaPICS, 2022.

Esse verbete contribui para a preservação do patrimônio linguístico nacional, pois apresenta uma

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Resolução comentada

O que a questão pede

Por que o verbete ajuda a preservar o patrimônio linguístico.

O que o texto diz

  • O verbete abre com o nome em wajãpi (“Uruku”), em português e em francês, mais o nome científico.
  • A explicação vem toda da visão dos Wajãpi: Moju, “dono da água”, não suporta o cheiro de urucum; os “jarã” e os espíritos são atraídos pelo cheiro do suor e do sangue; o urucum disfarça esse cheiro e protege.

A resposta

O verbete não define o urucum como um dicionário comum faria: ele registra o que a palavra significa dentro da cultura e da língua do povo. É a definição de um termo na perspectiva ancestral indígena.

Alternativa B.

B Gabarito: alternativa B

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    Foi a mais marcada. O urucum protege quem vai caçar e quem está doente, mas o verbete não descreve um ritual de cura. (27,9% marcaram)

  • C

    “Uruku” é wajãpi, “urucum” é português e “rocou” é francês; não são várias línguas indígenas. (23,6% marcaram)

  • D

    O verbete registra o saber como ele é, sem atualizá-lo. (22,5% marcaram)

  • E

    Fora o nome científico, nada é explicado pela ciência; tudo vem da cosmologia wajãpi. (4,9% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.389.296 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIMédiaParâmetro B: 672 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 2ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram20,5%dos candidatos marcaram a B
Habilidade 20 · Competência 6Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional.
Como os candidatos responderam
  • A27,9% mais marcada
  • B20,5% ✓ gabarito
  • C23,6%
  • D22,5%
  • E4,9%

Em branco: 0,5% · Mais de uma marcada: 0,1%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50016,2%
  • 500 a 60018,3%
  • 600 a 70034%
  • 700 ou mais79,4%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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