Questão 12 do Enem 2024: a Língua da Tabatinga
Nos outros cadernos: amarelo 25 · verde 37 · branco 40
A Língua da Tabatinga, falada na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, foi por muito tempo estigmatizada devido à sua origem e à própria classe social de seus falantes, pois, segundo uma pesquisadora, era falada por “meninos pobres vindos da Tabatinga ou de Cruz de Monte — ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre foram tidos por marginais”. Conhecida por antigos como a “língua dos engraxates”, pois muitos trabalhadores desse ofício conversavam nessa língua enquanto lustravam sapatos na praça da matriz, a Língua da Tabatinga era utilizada por negros escravizados como uma espécie de “língua secreta”, um código para trocarem informações de como conseguir alimentos, ou para planejar fugas de seus senhores sem risco de serem descobertos por eles.
De acordo com um documento do Iphan (2011), os falantes da língua apresentam uma forte consciência de sua relação com a descendência africana e da importância de preservar a “fala que os identifica na região”. Essa mudança de compreensão tangencia aspectos de pertencimento, pois, à medida que o falante da Língua da Tabatinga se identifica com a origem afro-brasileira, ele passa a ver essa língua como um legado recebido e tem o cuidado de transmiti-la para outras gerações. A concentração de falantes dessa língua está na faixa entre 21 e 60 anos de idade.
Disponível em: www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).
A Língua da Tabatinga tem sido preservada porque o(a)
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Resolução comentada
O que a questão pede
Por que a Língua da Tabatinga tem sido preservada.
O que o texto diz
- Os falantes têm “forte consciência de sua relação com a descendência africana” e da importância de preservar a “fala que os identifica”.
- Ao se identificar com a origem afro-brasileira, o falante vê a língua como legado e a transmite.
A resposta
A língua sobrevive porque passou a ser motivo de pertencimento. O sentimento de identidade linguística tem se consolidado.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Não se fala em escrita. (6,8% marcaram)
- B
O que mudou foi a visão dos falantes sobre a língua, não o prestígio social deles. (11,5% marcaram)
- C
Foi a errada mais marcada. A função de código secreto ficou no passado. (13,9% marcaram)
- E
A faixa de 21 a 60 anos é um dado, não a causa da preservação. (7,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.166.666 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,4% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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