Questão 11 do Enem 2024: as falas de Evanildo Bechara
Nos outros cadernos: amarelo 42 · verde 45 · branco 14
Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco em pouco, como se a adiasse ao máximo. Aos 95 anos, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) alcançou um status de astro pop no mundo da filologia e da gramática. Quando ainda tinha saúde para viagens mais longas, o filólogo lotava plateias em suas palestras na Europa e no Brasil, que não raro terminavam com filas para selfies.
A idade acentuou o lado “cientista” e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — “Qual o seu tipo preferido de leitura?”. — “A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas.” — responde.
Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um “novo mundo” se abriu para o pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — “A vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente”, lembra Cavaliere. — “Esse ‘reportado’ é uma importação, né?”, notou Bechara.
Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 3 jan. 2024 (adaptado).
Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade linguística
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Resolução comentada
O que a questão pede
Que variedade linguística as falas de Bechara representam.
O que o texto diz
- Ele adota “um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais”.
- Fala em “relação de causa e efeito” entre leituras e identifica “reportado” como “importação”, termo do estudo de estrangeirismos.
A resposta
O vocabulário vem do ofício de filólogo e gramático, mesmo numa carona. As falas representam a variedade ocupacional, pois ele faz uso de termos específicos de sua área de atuação.
Alternativa E.
E Gabarito: alternativa E
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
A carona é informal, e ele mantém o tom técnico; não é o contexto que pede formalidade. (21,5% marcaram)
- B
Não há marcas do falar pernambucano. (13,1% marcaram)
- C
Foi a errada mais marcada. As falas são técnicas, não rebuscadas (“né?”). (23,9% marcaram)
- D
O texto atribui o tom à profissão (“lado cientista e professoral”), não à idade em si. (16,6% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.166.666 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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