Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 39 do Enem 2025 PPL: escrevivência e “Um corpo no mundo”

Enem 2025 PPL · 1º dia · caderno azul · Literatura · Literaturas afro-brasileira e indígena

Nos outros cadernos: amarelo 31 · verde 43 · branco 36 · laranja 36

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B elementos identitários.

TEXTO I

Pensar a Escrevivência como um fenômeno diaspórico e universal primeiramente me incita a voltar a uma imagem que está no núcleo do termo. A imagem fundante do termo é a figura da Mãe Preta, aquela que vivia a sua condição de escravizada dentro da casa-grande. Essa mulher tinha como trabalho escravo a função forçada de cuidar da prole da família colonizadora. Escrevivência, em sua concepção inicial, se realiza como um ato de escrita das mulheres negras, como uma ação que pretende borrar, desfazer uma imagem do passado, em que o corpo-voz de mulheres negras escravizadas tinha sua potência de emissão também sob o controle dos escravocratas, homens, mulheres e até crianças. E, se ontem nem a voz pertencia às mulheres escravizadas, hoje a letra, a escrita nos pertencem também.

EVARISTO, C. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, C. L.; NUNES, I. R. (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina, 2020 (adaptado).

TEXTO II

Um corpo no mundo

Atravessei o mar, um sol
Da América do Sul me guia
Trago uma mala de mão
Dentro uma oração, um adeus
Eu sou um corpo, um ser, um corpo só
Tem cor, tem corte
E a história do meu lugar, ô
Eu sou a minha própria embarcação
Sou minha própria sorte

LUEDJI LUNA. Disponível em: https://open.spotify.com. Acesso em: 7 out. 2025 (fragmento).

Os textos I e II apresentam como característica comum a referência a(à)

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

O que os dois textos têm em comum.

O que o texto diz

  • Texto I: a escrevivência é escrita das mulheres negras, que retomam a voz negada às escravizadas.
  • Texto II: “Atravessei o mar”, “Eu sou um corpo […] Tem cor, tem corte / E a história do meu lugar”, “Sou minha própria sorte”.

A resposta

Os dois tratam de quem é a mulher negra: corpo, cor, história, diáspora, voz própria. A característica comum é a referência a elementos identitários.

Alternativa B.

B Gabarito: alternativa B

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    O “corpo só” da canção é afirmação de si, não solidão; o texto I não fala disso. (17,6% marcaram)

  • C

    A Mãe Preta está só no texto I. (6,7% marcaram)

  • D

    Foi a errada mais marcada. O texto I trata de uma experiência coletiva das mulheres negras. (18,6% marcaram)

  • E

    A “oração” aparece só na canção, de passagem. (0,6% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 312 candidatos que fizeram a prova.

Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.

Dificuldade pela TRIFácilParâmetro B: 543 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 35ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram56,1%dos candidatos marcaram a B
Habilidade 22 · Competência 7Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
Como os candidatos responderam
  • A17,6%
  • B56,1% ✓ gabarito
  • C6,7%
  • D18,6%
  • E0,6%

Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 5009,1%
  • 500 a 60054,5%
  • 600 a 70088%
  • 700 ou mais100%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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