Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 35 do Enem 2025 (COP30): a cozinha em “Um defeito de cor”

Enem 2025 COP30 (Belém) · 1º dia · caderno azul · Literatura · Literaturas afro-brasileira e indígena

Nos outros cadernos: amarelo 43 · verde 41 · branco 37 · laranja 37

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A maneira como as pessoas escravizadas são tratadas.

Certo sábado, o sinhô José Carlos recebeu visitas, sete ou oito homens da capital. Eram pessoas importantes, pois nós, da cozinha, trabalhamos muito preparando quitutes sob a supervisão da sinhá Ana Felipa, que acompanhava tudo de caderno em punho e língua afiada. Depois de cada prato pronto, ela experimentava e jogava fora o que não ficava bom, no lixo mesmo, não sem antes jogar água ou fazer qualquer outra coisa para que nós não pudéssemos aproveitar.

Fazia isso dizendo que preto não tinha paladar para apreciar aquele tipo de comida e nem ela queria ser acusada de ter alimentado escravos com comida digna de reis, mesmo que estragada pela nossa incompetência, pelo nosso dom de fazer somente a ração a que estávamos acostumados todos os dias. O Sebastião e a Antônia, que serviriam os pratos, ganharam fardas novas. Ficaram horas com a sinhá Ana Felipa, que mostrou de que lado de cada pessoa deveriam servir à mesa, a ordem em que os pratos sairiam da cozinha e depois seriam retirados, como encher os copos, e outras coisas.

GONÇALVES, A. M. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2010.

Nesse trecho do romance, as tensões do contexto narrativo refletem-se na

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

Onde aparecem as tensões do contexto da narrativa.

O que o texto diz

  • A sinhá joga fora os pratos “não sem antes jogar água […] para que nós não pudéssemos aproveitar”.
  • Diz “que preto não tinha paladar” e fala da “ração” dos escravizados.

A resposta

A tensão da escravidão aparece no desprezo e na crueldade da sinhá: estragar a comida para negar até as sobras e justificar isso com racismo. Ela se reflete na maneira como as pessoas escravizadas são tratadas.

Alternativa A.

A Gabarito: alternativa A

Por que as outras alternativas estão erradas

  • B

    A narradora mostra a crueldade, mas ninguém na cena questiona a relação. (8,1% marcaram)

  • C

    A comida é o meio da humilhação; o assunto não é a diferença de hábitos. (9,9% marcaram)

  • D

    Foi a errada mais marcada. As regras de servir à mesa aparecem, mas a tensão está na humilhação, não na etiqueta. (11,8% marcaram)

  • E

    A divisão entre cozinha e sala existe, mas o centro do trecho é o tratamento dado aos escravizados. (7,3% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 66.577 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIFácilParâmetro B: 468 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 49ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram62,1%dos candidatos marcaram a A
Habilidade 15 · Competência 5Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
Como os candidatos responderam
  • A62,1% ✓ gabarito
  • B8,1%
  • C9,9%
  • D11,8%
  • E7,3%

Em branco: 0,7% · Mais de uma marcada: 0,2%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50044,7%
  • 500 a 60076,3%
  • 600 a 70089,8%
  • 700 ou mais98,9%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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