Questão 28 do Enem 2022: a língua patxôhã dos Pataxó
Nos outros cadernos: amarelo 45 · rosa 37 · branco 17 · laranja 17
As línguas silenciadas do Brasil
Para aprender a língua de seu povo, o professor Txaywa Pataxó, de 29 anos, precisou estudar os fatores que, por diversas vezes, quase provocaram a extinção da língua patxôhã. Mergulhou na história do Brasil e descobriu fatos violentos que dispersaram os pataxós, forçados a abandonar a própria língua para escapar da perseguição. “Os pataxós se espalharam, principalmente, depois do Fogo de 1951. Queimaram tudo e expulsaram a gente das nossas terras. Isso constrange o nosso povo até hoje”, conta Txaywa, estudante da Universidade Federal de Minas Gerais e professor na aldeia Barra Velha, região de Porto Seguro (BA). Mais de quatro décadas depois, membros da etnia retornaram ao antigo local e iniciaram um movimento de recuperação da língua patxôhã. Os filhos de Sameary Pataxó já são fluentes — e ela, que se mudou quando já era adulta para a aldeia, tenta aprender um pouco com eles. “É a nossa identidade. Você diz quem você é por meio da sua língua”, afirma a professora de ensino fundamental sobre a importância de restaurar a língua dos pataxós. O patxôhã está entre as línguas indígenas faladas no Brasil: o IBGE estimou 274 línguas no último censo. A publicação Povos indígenas no Brasil 2011/2016, do Instituto Socioambiental, calcula 160. Antes da chegada dos portugueses, elas totalizavam mais de mil.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 11 jun. 2019 (adaptado).
O movimento de recuperação da língua patxôhã assume um caráter identitário peculiar na medida em que
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Resolução comentada
O que a questão pede
O caráter identitário do movimento.
O que o texto diz
- Os Pataxó foram expulsos e “forçados a abandonar a própria língua”.
- Voltaram e recuperaram a língua: “É a nossa identidade. Você diz quem você é por meio da sua língua”.
A resposta
Falar de novo o patxôhã é resistir à violência que tentou apagar o povo e manter viva sua memória. O movimento conjuga o ato de resistência étnica à preservação da memória cultural.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a errada mais marcada. A perseguição é a causa da perda; o movimento vai além da denúncia. (25,6% marcaram)
- C
Txaywa é estudante, mas o movimento é da aldeia. (11,8% marcaram)
- D
O retorno veio antes da recuperação. (14,4% marcaram)
- E
A língua já existia; não aumenta a contagem. (9% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 2.491.503 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,5% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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