Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 118 do Enem 2015 PPL: Senhora, de José de Alencar

Enem 2015 PPL · 2º dia · caderno azul · Literatura · Literatura do século XIX

Nos outros cadernos: cinza 117 · amarelo 117 · rosa 126

Só quer conferir? Ver o gabarito

D o narrador evidencia o cerceamento sexista à autoridade da mulher, financeiramente independente.

Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor? Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. Dizia-se muita coisa que não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a verdade, sem os comentos malévolos de que usam vesti-la os noveleiros. Aurélia era órfã; tinha em sua companhia uma velha parenta, viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava na sociedade. Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina. Guardando com a viúva as deferências devidas à idade, a moça não declinava um instante do firme propósito de governar sua casa e dirigir suas ações como entendesse. Constava também que Aurélia tinha um tutor; mas essa entidade era desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila, não devia exercer maior influência em sua vontade, do que a velha parenta.

ALENCAR, J. Senhora. São Paulo: Ática, 2006.

O romance Senhora, de José de Alencar, foi publicado em 1875. No fragmento transcrito, a presença de D. Firmina Mascarenhas como “parenta” de Aurélia Camargo assimila práticas e convenções sociais inseridas no contexto do Romantismo, pois

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

O que a presença de D. Firmina revela.

O que o texto diz

“essa parenta não passava de mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina.”

A resposta

Aurélia, rica e dona de si, precisa de uma acompanhante de fachada para ser aceita. O narrador evidencia o cerceamento sexista à autoridade da mulher, financeiramente independente.

Alternativa D.

D Gabarito: alternativa D

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    Aurélia é retratada com firmeza e autonomia. (20,9% marcaram)

  • B

    O narrador expõe os hábitos, não os mascara. (14,1% marcaram)

  • C

    Foi a errada mais marcada. A convenção é retratada como era. (23% marcaram)

  • E

    A dama de companhia era convenção da época, não avanço. (17,4% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.896 candidatos que fizeram a prova.

Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.

Dificuldade pela TRIMédiaParâmetro B: 651 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 8ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram24,2%dos candidatos marcaram a D
Como os candidatos responderam
  • A20,9%
  • B14,1%
  • C23%
  • D24,2% ✓ gabarito
  • E17,4%

Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,2%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50018,8%
  • 500 a 60024,5%
  • 600 a 70046,8%
  • 700 ou mais100%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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