Questão 45 do Enem 2023 PPL: “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo
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Da calma e do silêncio
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas...
[...]
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
EVARISTO, C. Poemas de recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2021 (fragmento).
Na reflexão sobre motivos e soluções do trabalho com a palavra, o eu lírico defende que a poesia
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que o eu lírico defende sobre a poesia.
O que o texto diz
- “não me apressem, / quero mascar, / rasgar entre os dentes […] o tutano / do verbo”.
- “não me forcem”; “deixem-me quieta, / na aparente inércia”; “só o silêncio / da poesia penetra”.
A resposta
O eu lírico pede calma: a palavra precisa ser mastigada e o silêncio, respeitado. A poesia requer um tempo próprio de amadurecimento e plenitude.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
A palavra é rica (“pele, ossos, tutano”), não limitada. (9% marcaram)
- B
Foi a errada mais marcada. O tom é de calma, não de angústia. (18,7% marcaram)
- C
Engajamento social não é tema aqui. (6% marcaram)
- E
“Mundos submersos” sugere justamente algo além do visível. (7,4% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.131 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,4% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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