Questão 23 do Enem 2021 PPL: “Descobrimento”, de Mário de Andrade
Nos outros cadernos: amarelo 8 · rosa 38 · branco 30
Descobrimento
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei lá no norte, meu Deus! muito longe de mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu,
Um homem pálido, magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu...
ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Villa Rica, 1993.
O poema modernista de Mário de Andrade revisita o tema do nacionalismo de forma irônica ao
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Como o poema revisita o nacionalismo com ironia.
O que o texto diz
- O poeta está “à escrivaninha em São Paulo”, diante de um livro.
- Lembra um seringueiro “lá no norte, meu Deus! muito longe de mim”.
- “Esse homem é brasileiro que nem eu…”
A resposta
O título fala em “descobrimento”: o intelectual paulista descobre, de supetão, que um homem tão distante e tão diferente é seu compatriota. O poema problematiza a relação entre distância geográfica e construção da nacionalidade.
Alternativa C.
C Gabarito: alternativa C
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a mais marcada. O seringueiro é visto com comoção, não com estereótipo. (35,3% marcaram)
- B
A vida do seringueiro é dura, não bucólica. (14,9% marcaram)
- D
A cultura indígena não é tema. (9,1% marcaram)
- E
O poeta aceita e se emociona com o outro; não rejeita a diferença. (21,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 77.496 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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