Questão 32 do Enem 2025 (COP30): a favela na crônica de Benjamim Costallat
Nos outros cadernos: amarelo 23 · verde 26 · branco 29 · laranja 29
Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, dá uma profunda lição de alegria àqueles que têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequeninos casebres [...], que se arriscam, a cada instante, a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes — estivadores, carvoeiros, embarcadiços — e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!...
COSTALLAT, B. Mistérios do Rio. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, 1990.
Em 1924, quando foi publicada essa crônica, predominava uma visão estigmatizada e preconceituosa sobre as comunidades no Rio de Janeiro da Primeira República. Nesse trecho, essa percepção é
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Como o trecho trata a visão preconceituosa sobre a favela.
O que o texto diz
- “Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela”, mas o maior perigo foi o de cair do morro.
- A favela é “sem higiene, sem conforto”, com crianças “mal alimentadas e em trapos”.
- E, ainda assim, “dá uma profunda lição de alegria”: “toca cavaquinho e canta!”.
A resposta
O cronista desmonta o medo dos “valentes” e mostra a favela com as duas faces: miséria e alegria. A percepção estigmatizada é relativizada por uma compreensão ambivalente do morro, constituído por mazelas e alegrias.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Os valentes e malandros são o que “falavam-me”; o cronista desmente esse perigo. (18,6% marcaram)
- B
Ele não idealiza: mostra fome, trapos e falta de higiene ao lado da festa. (6,5% marcaram)
- C
O risco de queda é uma ironia que desmonta o medo, mas sozinho não dá conta da visão do texto, que junta pobreza e alegria. (19,9% marcaram)
- E
Foi a mais marcada. As más condições aparecem, mas acompanhadas da alegria; não há só denúncia. (29,1% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 66.577 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,5% · Mais de uma marcada: 0,2%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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