Questão 10 do Enem 2018: “Quebranto”, de Cuti
Nos outros cadernos: amarelo 34 · rosa 20 · branco 31 · laranja 10
Quebranto
às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo e me dou porrada
às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço
[...]
às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno
começo
fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto em que me entrego.
às vezes!...
CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).
Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que a vivência revela sobre o eu lírico.
O que o texto diz
- “às vezes sou o policial que me suspeito”; “sou o porteiro / não me deixando entrar”.
- “entupido com a visão deles”; “às vezes!…”
A resposta
O eu lírico assume, em certos momentos, o olhar racista de quem o oprime e passa a se vigiar e se barrar. Ele incorpora seletivamente o discurso do seu opressor.
Alternativa A.
A Gabarito: alternativa A
Por que as outras alternativas estão erradas
- B
Não há fortalecimento; há dor. (14,8% marcaram)
- C
A opressão é presente, não passado. (11,9% marcaram)
- D
Foi a mais marcada. Ele sabe quem é; o problema é ver-se pelos olhos do outro. (34,8% marcaram)
- E
Não há utopia no poema. (5,8% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 4.147.127 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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