Questão 121 do Enem 2016: Antiode, de João Cabral
Nos outros cadernos: amarelo 104 · rosa 97 · cinza 119
Antiode
Poesia, não será esse
o sentido em que
ainda te escrevo:
flor! (Te escrevo:
flor! Não uma
flor, nem aquela
flor-virtude — em
disfarçados urinóis).
Flor é a palavra
flor; verso inscrito
no verso, como as
manhãs no tempo.
Flor é o salto
da ave para o voo:
o salto fora do sono
quando seu tecido
se rompe; é uma explosão
posta a funcionar,
como uma máquina,
uma jarra de flores.
MELO NETO, J. C. Psicologia da composição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento).
A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poética de
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que o poema recria.
O que o texto diz
“Flor é a palavra / flor”; “Flor é o salto / da ave para o voo”; “é uma explosão / posta a funcionar, / como uma máquina”.
A resposta
O poeta recusa a flor bonita da poesia tradicional e trabalha a palavra “flor”, comparando-a a salto, explosão e máquina. Recria uma palavra, a partir de imagens com as quais ela pode ser comparada, a fim de assumir novos significados.
Alternativa A.
A Gabarito: alternativa A
Por que as outras alternativas estão erradas
- B
O urinol é a flor-virtude rejeitada. (8,4% marcaram)
- C
Foi a errada mais marcada. A ave é uma das imagens de comparação. (10,7% marcaram)
- D
A máquina também é comparação. (6,6% marcaram)
- E
O tecido é o do sono, outra imagem. (7,4% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.689.442 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
Mais questões de modernismo
- 2025 COP30 (Belém) · Q16Prefácio de “Diário do hospício” e “O cemitério dos vivos”, de Lima Barreto
- 2025 PPL · Q19“Infância”, de Graciliano Ramos: o menino que aprende a ler
- 2025 COP30 (Belém) · Q32Benjamim Costallat sobe a favela em 1924: mazelas e alegria
- 2025 COP30 (Belém) · Q33“O perguntar e o responder”, de Drummond: o espelho que pergunta
- 2025 COP30 (Belém) · Q41Clarice Lispector: “como é que se escreve?”
- 2024 PPL · Q6“Igual-desigual”, de Drummond: “Ninguém é igual a ninguém”
