Questão 122 do Enem 2014 (reaplicação): Riobaldo e Deus
Pecados, vagância de pecados. Mas, a gente estava com Deus? Jagunço podia? Jagunço – criatura paga para crimes, impondo o sofrer no quieto arruado dos outros, matando e roupilhando. Que podia? Esmo disso, disso, queri, por pura toleima; que sensata resposta podia me assentar o Jõe, broreiro peludo do Riachão do Jequitinhonha? Que podia? A gente, nós, assim jagunços, se estava em permissão de fé para esperar de Deus perdão de proteção? Perguntei, quente.
— “Uai? Nós vive...” — foi o respondido que ele me deu.
ROSA, G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001 (fragmento).
Guimarães Rosa destaca-se pela inovação da linguagem com marcas dos falares populares e regionais. Constrói seu vocabulário a partir de arcaísmos e da intervenção nos campos sintático-semânticos. Em Grande sertão: veredas, seu livro mais marcante, faz o enredo girar em torno de Riobaldo, que tece a história de sua vida e sua interlocução com o mundo-sertão. No fragmento em referência, o narrador faz uso da linguagem para revelar
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que a linguagem do narrador revela.
O que o texto diz
“Mas, a gente estava com Deus? Jagunço podia?”; “se estava em permissão de fé para esperar de Deus perdão de proteção? Perguntei, quente.”
A resposta
As perguntas se acumulam e ficam sem resposta séria. O narrador revela inquietação por desconhecer se os jagunços podem ou não ser protegidos por Deus.
Alternativa A.
A Gabarito: alternativa A
Por que as outras alternativas estão erradas
- B
É dúvida, não insatisfação.
- C
Ele mesmo duvida da “sensata resposta” de Jõe.
- D
Não fala de vida após a morte.
- E
Não há arrependimento declarado.
Raio-X da questão
Dados oficiais do Inep. Os microdados desta aplicação não trazem as respostas dos candidatos, então aparecem só a dificuldade pela TRI e a habilidade avaliada.
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