Questão 116 do Enem 2013: Mal secreto, de Raimundo Correia
Nos outros cadernos: amarelo 99 · cinza 114 · rosa 123
Mal secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995.
Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que o julgamento social revela, para o eu lírico.
O que o texto diz
“Ver através da máscara da face”; “Quanta gente que ri, talvez existe, / Cuja ventura única consiste / Em parecer aos outros venturosa!”
A resposta
As pessoas escondem a dor atrás de um sorriso para parecer felizes aos outros. A necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada.
Alternativa A.
A Gabarito: alternativa A
Por que as outras alternativas estão erradas
- B
O sofrimento é escondido, não compartilhado. (18,9% marcaram)
- C
Perdão não é tema. (14,4% marcaram)
- D
A piedade só existiria se víssemos a dor. (11,1% marcaram)
- E
Foi a errada mais marcada. Não se diz que é nocivo ao convívio. (19,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.027.077 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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