Questão 25 do Enem 2025: Ruy Castro e as frases feitas da moda
Nos outros cadernos: amarelo 19 · verde 12 · branco 23 · laranja 23
Passando por aqui para lembrar algumas palavras, frases e expressões que nos infernizaram em 2023. Inclusive passando por aqui. Se você for proativo, vai achar que é o novo normal. Estarão na sua zona de conforto. Mas, se for reativo como eu, vai achar que é uma narrativa que precisa ser ressignificada.
É uma questão de empatia. É sobre entregar um discurso mais robusto e empoderado. Sei bem que não tenho lugar de fala para harmonizar certos pontos fora da curva e que preciso aplicar toda a minha resiliência para fazer um realinhamento. O nível de fitness está hoje num sarrafo muito alto.
O fato é que acho cringe essas falas fora da caixinha. Aliás, falar cringe já é meio cringe. Preciso usar a superação para me reinventar e entender que resenha não tem mais a ver com futebol, é qualquer papo, desde que latente.
Pensando bem, não é tão difícil. Frases feitas são aquelas que entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro. A boca fala por conta própria, dispensando-nos de pensar. E não tem problema nisso. Ou as ditas frases se incorporam à língua ou morrem e nascem outras. A língua é assim. Simples assim.
CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).
Nesse texto, a estratégia empregada para criticar a constante exposição a palavras, frases e expressões automatizadas é o(a)
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Qual estratégia o autor usa para criticar as expressões automáticas.
O que o texto diz
Os três primeiros parágrafos são feitos quase só de clichês: “proativo”, “novo normal”, “zona de conforto”, “ressignificada”, “empatia”, “lugar de fala”, “fora da curva”, “resiliência”, “cringe”, “fora da caixinha”, “me reinventar”. O próprio texto ri disso: “falar cringe já é meio cringe”.
A resposta
Ruy Castro não lista as expressões: ele escreve com todas elas juntas, e o excesso fica engraçado. A crítica vem do humor gerado pelo uso das próprias estruturas que são objeto da reflexão.
Alternativa E.
E Gabarito: alternativa E
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a errada mais marcada. O autor comenta que essas frases morrem e são substituídas, mas isso vem no fim e não é o que critica o excesso delas. (27,3% marcaram)
- B
Há primeira pessoa, mas a crítica não vem do relato pessoal, e sim da avalanche de clichês no texto. (13,9% marcaram)
- C
O “Simples assim” do fim é mais um clichê da lista, não a estratégia central. (10,4% marcaram)
- D
O “você” aparece numa frase só; não é ele que sustenta a crítica. (7% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.389.296 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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