Questão 31 do Enem 2024: Flora no baile da Ilha Fiscal, em “Esaú e Jacó”
Nos outros cadernos: amarelo 30 · verde 28 · branco 29
Cap. XLVIII / Terpsícore
Ao contrário do que ficou dito atrás, Flora não se aborreceu na ilha. Conjeturei mal, emendo-me a tempo. Podia aborrecer-se pelas razões que lá ficam, e ainda outras que poupei ao leitor apressado; mas, em verdade, passou bem a noite. A novidade da festa, a vizinhança do mar, os navios perdidos na sombra, a cidade defronte com os seus lampiões de gás, embaixo e em cima, na praia e nos outeiros, eis aí aspectos novos que a encantaram durante aquelas horas rápidas.
Não lhe faltavam pares, nem conversação, nem alegria alheia e própria. Toda ela compartia da felicidade dos outros. Via, ouvia, sorria, esquecia-se do resto para se meter consigo. Também invejava a princesa imperial, que viria a ser imperatriz um dia, com o absoluto poder de despedir ministros e damas, visitas e requerentes, e ficar só, no mais recôndito do paço, fartando-se de contemplação ou de música. Era assim que Flora definia o ofício de governar. Tais ideias passavam e tornavam. De uma vez alguém lhe disse, como para lhe dar força: “Toda alma livre é imperatriz!”.
ASSIS, M. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974.
Convidada para o último baile do Império, na Ilha Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, Flora devaneia sobre aspectos daquele contexto, no qual o narrador ironiza a
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Resolução comentada
O que a questão pede
O que o narrador ironiza no contexto do baile.
O que o texto diz
- O baile da Ilha Fiscal (novembro de 1889) foi a última grande festa da monarquia, dias antes da Proclamação da República.
- Flora inveja “a princesa imperial, que viria a ser imperatriz um dia”.
- A festa é só alegria, música e luzes.
A resposta
O leitor sabe que a princesa nunca será imperatriz: a monarquia cai em seguida. Os convidados dançam sem perceber. O narrador ironiza a alienação da elite em relação ao fim da monarquia.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O novo regime nem é mencionado. (21,4% marcaram)
- C
A vista da cidade é cenário, não alvo da ironia. (18% marcaram)
- D
Foi a mais marcada. Não há conflito com o povo na cena. (24,4% marcaram)
- E
Flora devaneia sobre poder e solidão, não sobre casamento. (12,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.166.666 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,8% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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