Questão 22 do Enem 2020 Digital: “Caso pluvioso”, de Drummond
Caso pluvioso
A chuva me irritava. Até que um dia
descobri que maria é que chovia.
A chuva era maria. E cada pingo
de maria ensopava o meu domingo.
E meus ossos molhando, me deixava
como terra que a chuva lavra e lava.
E eu era todo barro, sem verdura...
maria, chuvosíssima criatura!
Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono, e o resto.
Era chuva fininha e chuva grossa,
Matinal e noturna, ativa... Nossa!
ANDRADE, C. D. Viola de bolso. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952 (fragmento).
Considerando-se a exploração das palavras “maria” e “chuvosíssima” no poema, conclui-se que tal recurso expressivo é um(a)
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Que recurso é o uso de “maria” e “chuvosíssima”.
O que o texto diz
- “maria”, com minúscula, vira quase um fenômeno: “maria é que chovia”.
- “chuvosíssima criatura”: superlativo de um adjetivo que não costuma ter grau.
A resposta
O poeta transforma um nome em chuva e cria um superlativo inesperado, dando à palavra um uso único. É uma inovação lexical singularizante da linguagem literária.
Alternativa C.
C Gabarito: alternativa C
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Não é fala de uma região. (10,8% marcaram)
- B
Não é forma da oralidade. (16,9% marcaram)
- D
É criação, não informalidade. (21,1% marcaram)
- E
Foi a mais marcada. Inovações assim não são exclusivas da poesia. (34,7% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 28.805 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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