Questão 38 do Enem 2018: “Infância”, de Graciliano Ramos
Nos outros cadernos: amarelo 32 · rosa 15 · branco 10 · laranja 38
Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó.
RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.
Num texto narrativo, a sequência dos fatos contribui para a progressão temática. No fragmento, esse processo é indicado pela
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Resolução comentada
O que a questão pede
O que indica a sequência dos fatos.
O que o texto diz
“surrou-me” (ação pontual), “eu distinguia” (ação durativa), “ferira-me” (ação anterior), “Não guardei” (avaliação posterior).
A resposta
Pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito organizam o antes e o depois da surra. A progressão é indicada pela utilização de formas verbais que marcam tempos narrativos variados.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O foco é sempre a primeira pessoa. (14,7% marcaram)
- C
Só “Deitaram-me” tem sujeito indeterminado. (13,5% marcaram)
- D
Foi a mais marcada. A justaposição existe, mas não marca a sequência. (31,9% marcaram)
- E
Só “Certa vez” é adverbial. (17,7% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 4.147.127 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,4% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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