Questão 128 do Enem 2018: o barco que sopra a própria vela anda?
Nos outros cadernos: amarelo 131 · cinza 95 · rosa 100
Em desenhos animados é comum vermos a personagem tentando impulsionar um barco soprando ar contra a vela para compensar a falta de vento. Algumas vezes usam o próprio fôlego, foles ou ventiladores. Estudantes de um laboratório didático resolveram investigar essa possibilidade. Para isso, usaram dois pequenos carros de plástico, A e B, instalaram sobre estes pequenas ventoinhas e fixaram verticalmente uma cartolina de curvatura parabólica para desempenhar uma função análoga à vela de um barco. No carro B inverteu-se o sentido da ventoinha e manteve-se a vela, a fim de manter as características físicas do barco, massa e formato da cartolina. As figuras representam os carros produzidos. A montagem do carro A busca simular a situação dos desenhos animados, pois a ventoinha está direcionada para a vela.

Com os carros orientados de acordo com as figuras, os estudantes ligaram as ventoinhas, aguardaram o fluxo de ar ficar permanente e determinaram os módulos das velocidades médias dos carros A (VA) e B (VB) para o mesmo intervalo de tempo.
A respeito das intensidades das velocidades médias e do sentido de movimento do carro A, os estudantes observaram que:
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Se o carro A se move, para que lado, e se ele é mais rápido ou mais lento que o B.
Carro B: propulsão simples
A ventoinha de B joga ar para a esquerda. Pela terceira lei de Newton, o ar empurra a ventoinha (e o carro) para a direita. O ar sai para longe e não toca a vela. O carro B anda para a direita com toda a força de reação da ventoinha.
Carro A: a vela curva
A ventoinha de A joga ar para a direita, então recebe uma reação para a esquerda. Mas esse ar bate na vela. Por ser curva (parabólica), ela não só freia o ar: ela o devolve para a esquerda. Inverter o sentido do ar exige uma força maior do que só pará-lo, e a reação na vela, para a direita, supera o recuo da ventoinha.
Resultado: força líquida para a direita. Mas parte do ar escapa pelas bordas e perde velocidade no caminho, então essa força líquida é menor que a do carro B.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a mais marcada. O raciocínio de "força interna não move o carro" valeria se o ar só batesse na vela e parasse. Como a vela curva devolve o ar para trás, o carro recebe um empurrão líquido. (28,7% marcaram)
- C
O carro A se move para a direita, no sentido do sopro, porque a vela recebe mais força do que a ventoinha recua. (12,6% marcaram)
- D
O carro B anda mais rápido: toda a reação da ventoinha o empurra, sem perdas na vela. (28,1% marcaram)
- E
Errado no sentido e na comparação das velocidades. (6,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.905.085 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,1% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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