Questão 13 do Enem 2017: “O farrista”, de Murilo Mendes
Nos outros cadernos: amarelo 19 · rosa 41 · branco 31
O farrista
Quando o almirante Cabral
Pôs as patas no Brasil
O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris.
Quando ele voltou de viagem
O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:
“Não faz mal, isto é boa gente,
Vou arejar outra vez.”
O anjo transpôs a barra,
Diz adeus a Pernambuco,
Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim
Mas deu um vento no anjo,
Ele perdeu a memória...
E não voltou nunca mais.
MENDES, M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.
A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no poema, por um eu lírico que
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Como as propostas do primeiro Modernismo aparecem no poema.
O que o texto diz
“Quando o almirante Cabral / Pôs as patas no Brasil / O anjo da guarda dos índios / Estava passeando em Paris.”
A resposta
O poema conta a chegada dos europeus zombando dela: Cabral tem “patas” e o anjo protetor estava de farra. O eu lírico remonta ao colonialismo assente sob um viés iconoclasta, isto é, derrubando a versão heroica.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Não há integração regional. (20,6% marcaram)
- C
O anjo é personagem cômico, não sincretismo. (12% marcaram)
- D
Foi a mais marcada. O poema satiriza, não descreve a formação do povo. (32% marcaram)
- E
Há “vuco-vuco”, mas o centro é a sátira histórica. (12,9% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 4.697.253 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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