Questão 107 do Enem 2016 PPL: Descobrimento, de Mário
Nos outros cadernos: amarelo 129 · rosa 116 · cinza 104
Descobrimento
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De sopetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no norte, meu Deus! Muito longe de mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu,
Um homem pálido, magro de cabelos escorrendo nos olhos
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu...
ANDRADE, M. Poesias completas. São Paulo: Edusp, 1987.
O poema Descobrimento, de Mário de Andrade, marca a postura nacionalista manifestada pelos escritores modernistas. Recuperando o fato histórico do “descobrimento”, a construção poética problematiza a representação nacional a fim de
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Para que o poema problematiza a representação nacional.
O que o texto diz
O intelectual paulista, à escrivaninha, lembra-se de um seringueiro “lá no norte”: “Esse homem é brasileiro que nem eu…”
A resposta
O “descobrimento” é o do próprio país: alguém de vida totalmente diferente também é brasileiro. O poema quer defender a diversidade social e cultural brasileira.
Alternativa C.
C Gabarito: alternativa C
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O homem do Norte é seringueiro, não indígena. (12% marcaram)
- B
Não se fala da colonização. (10% marcaram)
- D
Foi a errada mais marcada. O poeta reconhece, não promove integração. (20,7% marcaram)
- E
O Norte é exemplo; o foco é o Brasil diverso. (17,4% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 155.347 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
Mais questões de modernismo
- 2025 COP30 (Belém) · Q16Prefácio de “Diário do hospício” e “O cemitério dos vivos”, de Lima Barreto
- 2025 PPL · Q19“Infância”, de Graciliano Ramos: o menino que aprende a ler
- 2025 COP30 (Belém) · Q32Benjamim Costallat sobe a favela em 1924: mazelas e alegria
- 2025 COP30 (Belém) · Q33“O perguntar e o responder”, de Drummond: o espelho que pergunta
- 2025 COP30 (Belém) · Q41Clarice Lispector: “como é que se escreve?”
- 2024 PPL · Q6“Igual-desigual”, de Drummond: “Ninguém é igual a ninguém”
