Questão 113 do Enem 2011: Estrada, de Manuel Bandeira
Nos outros cadernos: amarelo 113 · cinza 110 · rosa 115
Estrada
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.
BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967.
A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão de significados profundos a partir de elementos do cotidiano. No poema Estrada, o lirismo presente no contraste entre campo e cidade aponta para
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Para onde aponta o contraste entre campo e cidade.
O que o texto diz
“E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar”; “Nem falta o murmúrio da água, para sugerir […] / Que a vida passa! que a vida passa!”
A resposta
No ritmo lento da estrada, cada detalhe faz pensar, e a água corrente lembra a passagem do tempo. Aponta para a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia da vida rural.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Ele prefere a estrada. (20,7% marcaram)
- C
Foi a errada mais marcada. A meditação é sobre a vida que passa. (24,4% marcaram)
- D
Não há insegurança. (11,9% marcaram)
- E
Não há medo. (7,8% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.868.891 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
Mais questões de modernismo
- 2025 COP30 (Belém) · Q16Prefácio de “Diário do hospício” e “O cemitério dos vivos”, de Lima Barreto
- 2025 PPL · Q19“Infância”, de Graciliano Ramos: o menino que aprende a ler
- 2025 COP30 (Belém) · Q32Benjamim Costallat sobe a favela em 1924: mazelas e alegria
- 2025 COP30 (Belém) · Q33“O perguntar e o responder”, de Drummond: o espelho que pergunta
- 2025 COP30 (Belém) · Q41Clarice Lispector: “como é que se escreve?”
- 2024 PPL · Q6“Igual-desigual”, de Drummond: “Ninguém é igual a ninguém”
