Questão 113 do Enem 2010: o “mas” em Clarice Lispector
Nos outros cadernos: amarelo 116 · cinza 116 · rosa 116
Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas.
LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no fragmento apresentado. Observando aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O papel do “mas” nas duas ocorrências.
O que o texto diz
“O calor era forte no apartamento […]. Mas o vento batendo nas cortinas […] lembrava-lhe que se quisesse podia parar”; “não outras, mas essas apenas.”
A resposta
No primeiro, opõe o desconforto ao alívio; no segundo, corrige e restringe (“não outras, e sim essas”). O conectivo assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.
Alternativa E.
E Gabarito: alternativa E
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Os sentidos diferem. (17,8% marcaram)
- B
No início da frase é legítimo. (11,3% marcaram)
- C
A posição não é fixa. (11,1% marcaram)
- D
Foi a errada mais marcada. Não é temporal. (29% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.247.403 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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