Questão 41 do Enem 2025: os bancos indígenas em forma de animal
Nos outros cadernos: amarelo 44 · verde 37 · branco 39 · laranja 39
TEXTO I
Origem, tradição e resistência
Foi sentada em seu banco de quartzo que a avó do universo, moradora da Maloca do Céu, criou os homens, os animais, a terra e as águas. O banco foi entregue aos ancestrais dos atuais Tukano, que passaram a reproduzi-lo em madeira. O mito Tukano — povo do noroeste da Amazônia que ainda hoje fabrica os bancos em seu estilo tradicional — indica o lugar dos bancos entre os objetos sagrados, ao mesmo tempo parte do universo primitivo e fonte do poder de criação. A presença nos mitos de origem de alguns povos atesta a antiguidade da arte de talhar bancos: os primeiros registros do uso desses objetos entre ameríndios das terras baixas da América do Sul, do Caribe e da América Central datam de, pelo menos, 4 mil anos.
ASSIS, R.; MENDES JR., L. Bancos indígenas do Brasil. São Paulo: BEI Comunicação, 2013.
TEXTO II

KAMAYURÁ, Y. Tatu Kamayurá 1. Madeira, 61 × 24 × 20 cm. Xingu (MT), s.d. Disponível em: www.colecaobei.com.br. Acesso em: 15 out. 2024.
Os textos I e ll demonstram, na confecção dos bancos, uma íntima relação de sacralidade entre o ser humano e a natureza, perceptível por meio da
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Resolução comentada
O que a questão pede
Como os bancos mostram uma relação sagrada entre o ser humano e a natureza.
O que o texto diz
- No mito Tukano, a avó do universo criou tudo sentada num banco, que foi entregue aos ancestrais e passou a ser reproduzido em madeira.
- O povo ainda hoje fabrica os bancos em seu estilo tradicional, uma arte de pelo menos 4 mil anos.
- No Texto II, o banco tem a forma de um tatu: o animal vira assento.
A resposta
Fazer o banco é manter viva uma tradição ligada ao mito da criação, e a forma do animal ganha um novo uso, o de sentar. É a manutenção da herança cultural, atribuindo nova função aos elementos da fauna.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a errada mais marcada. O banco é estilizado, e o texto fala de sacralidade, não de domínio sobre a natureza. (22,3% marcaram)
- C
O tatu é reconhecível: focinho, casco e cauda estão lá. (4% marcaram)
- D
Os grafismos existem, mas são um detalhe da peça; a relação sagrada está na tradição que vem do mito. (17,6% marcaram)
- E
O tatu não é uma criatura fantástica. (15,5% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.389.296 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,4% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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