Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 81 do Enem 2025 (COP30): o que Hobbes e Rousseau têm em comum

Enem 2025 COP30 (Belém) · 1º dia · caderno azul · Filosofia · Filosofia política

Nos outros cadernos: amarelo 75 · branco 84 · verde 89 · laranja 84

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C condição de igualdade.

TEXTO I

A diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que o outro não possa também aspirar, tal como ele. Portanto, se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo em que é impossível ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos.

HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril, 1980.

TEXTO II

Nada é mais meigo do que o homem em seu estado primitivo, quando, colocado pela natureza entre a estupidez dos brutos e as luzes funestas do homem civil, e compelido tanto pelo instinto quanto pela razão a defender-se do mal que o ameaça, é impedido pela piedade natural de fazer mal a alguém sem ser a isso levado por alguma coisa ou mesmo depois de atingido por algum mal.

ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo: Abril, 1978.

Comparando-se os textos dos contratualistas, verifica-se que eles apresentam um traço constitutivo dos homens no estado de natureza, caracterizado pela

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

Um traço dos homens no estado de natureza que aparece nos dois autores.

Texto I: Hobbes

“A diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável”: ninguém pode reclamar algo que o outro não possa também querer. Os homens são iguais, e é justamente por isso que, desejando a mesma coisa, viram inimigos.

Texto II: Rousseau

O homem natural é meigo e só faz mal se for levado a isso. O texto vem do Discurso sobre a origem da desigualdade: para Rousseau, no estado de natureza não há desigualdade entre os homens; ela surge com a vida em sociedade e a propriedade.

A resposta

Os dois divergem sobre o caráter do homem (inimigo em Hobbes, bom em Rousseau), mas concordam que, por natureza, os homens estão em condição de igualdade.

A alternativa A é tentadora, porque Rousseau fala em “defender-se do mal”. Mas, no trecho de Hobbes, o que define o estado de natureza é a igualdade, e é ela que provoca o conflito.

Alternativa C.

C Gabarito: alternativa C

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    A defesa de si aparece no Texto II, mas o traço que estrutura os dois argumentos é a igualdade: em Hobbes, ela gera a disputa; em Rousseau, a desigualdade só nasce com a sociedade. (22,9% marcaram)

  • B

    A "meiguice" é do homem de Rousseau; o de Hobbes vira inimigo do outro. (10% marcaram)

  • D

    A propriedade, para Rousseau, surge depois, com a sociedade; não é traço do estado de natureza. (12,7% marcaram)

  • E

    Foi a mais marcada. "Vontade de poder" é um conceito de Nietzsche, e não dos contratualistas. (32,6% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 66.577 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIDifícilParâmetro B: 746 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 2ª mais difícil de 45 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram20,1%dos candidatos marcaram a C
Habilidade 1 · Competência 1Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura.
Como os candidatos responderam
  • A22,9%
  • B10%
  • C20,1% ✓ gabarito
  • D12,7%
  • E32,6% mais marcada

Em branco: 1,5% · Mais de uma marcada: 0,2%

Quanto acertaram, por nota em Ciências Humanas
  • abaixo de 50023%
  • 500 a 60016,1%
  • 600 a 70016,6%
  • 700 ou mais37,8%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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