Questão 23 do Enem 2025 (COP30): “A borboleta azul”, de Geovani Martins
Nos outros cadernos: amarelo 32 · verde 29 · branco 26 · laranja 26
A borboleta azul
“Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixinho: “A borboleta é um presente do tempo”. Lá fora, ela, a borboleta, não pensava nada disso. Ocupava-se em voar pela noite de árvore em árvore. Era azul e sem dúvida um dia havia sido lagarta. Breno tem nove anos e é uma criança, a lagarta é como se fosse uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não borboleta, e homens não voam. Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de futebol. Como borboleta, Breno nunca chegou a pensar, tem nove anos, mas sabe que é menino e não lagarta. A avó de Breno sempre diz: “Lagarta queima o dedinho e come planta, mas vira borboleta. Ninguém nasce borboleta”. Agora o menino pensa e olha a borboleta na janela. “De manhã vi um monte de buraquinhos nas folhas”; explicaram a ele: “É coisa de lagarta”. Os buracos nas acerolas e goiabas eram coisa dos passarinhos. Isso ninguém precisou explicar, porque ele sempre viu os passarinhos indo bicar as frutas, menos o beija-flor, que só ia bicar a água no copo de flor pendurado na goiabeira. “O que será que borboleta come? Será que beija-flor só bebe água?”. Pensou muito nisso e sentiu fome. Saiu em direção à cozinha.
MARTINS, G. O sol na cabeça. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
Nesse fragmento, a estratégia que constrói a narração sob a perspectiva do protagonista é a
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Qual estratégia faz a narração seguir o ponto de vista de Breno.
O que o texto diz
- O narrador é de terceira pessoa, mas fala como o menino pensa: “a lagarta é como se fosse uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não borboleta, e homens não voam.”
- “Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de futebol.”
A resposta
O raciocínio infantil aparece dentro da fala do narrador, sem travessão nem “ele pensou que”. Isso é o discurso indireto livre: a incorporação da voz do personagem à voz do narrador.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Há “buraquinhos” e “dedinho”, mas são poucos e não constroem sozinhos o ponto de vista. (6% marcaram)
- B
A lembrança dos buraquinhos é breve; o que domina é o pensamento do menino no presente. (24,2% marcaram)
- C
Foi a mais marcada. O quintal aparece pelos olhos de Breno, sem descrição minuciosa. (26% marcaram)
- E
Os tempos verbais variam, mas o efeito de perspectiva vem da voz do menino dentro da narração. (23,9% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 66.577 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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