Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 29 do Enem 2024: “A resistência”, de Julián Fuks

Enem 2024 · 1º dia · caderno azul · Literatura · Literatura contemporânea

Nos outros cadernos: amarelo 28 · verde 29 · branco 30

Só quer conferir? Ver o gabarito

A a representações sociais estigmatizadas da parentalidade.

Meu irmão é filho adotivo. Há uma tecnicidade no termo, filho adotivo, que contribui para sua aceitação social. Há uma novidade que por um átimo o absolve das mazelas do passado, que parece limpá-lo de seus sentidos indesejáveis. Digo que meu irmão é filho adotivo e as pessoas tendem a assentir com solenidade, disfarçando qualquer pesar, baixando os olhos como se não sentissem nenhuma ânsia de perguntar mais nada. Talvez compartilhem da minha inquietude, talvez de fato se esqueçam do assunto no próximo gole ou na próxima garfada. Se a inquietude continua a reverberar em mim, é porque ouço a frase também de maneira parcial — meu irmão é filho — e é difícil aceitar que ela não termine com a verdade tautológica habitual: meu irmão é filho dos meus pais. Estou entoando que meu irmão é filho e uma interrogação sempre me salta aos lábios: filho de quem?

FUCKS, J. A resistência. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.

Das reflexões do narrador, apreende-se uma perspectiva que associa a adoção

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

A que o narrador associa a adoção.

O que o texto diz

  • O termo técnico “filho adotivo” parece absolvê-lo “das mazelas do passado” e limpá-lo “de seus sentidos indesejáveis”.
  • As pessoas assentem “disfarçando qualquer pesar”.
  • “filho de quem?”

A resposta

O narrador percebe que ser filho adotivo carrega um peso social, que o termo técnico só disfarça. A adoção é associada a representações sociais estigmatizadas da parentalidade.

Alternativa A.

A Gabarito: alternativa A

Por que as outras alternativas estão erradas

  • B

    As pessoas assentem, mas o narrador não busca aprovação. (16% marcaram)

  • C

    Quem disfarça o pesar são os outros, não a família. (13,2% marcaram)

  • D

    Foi a mais marcada. O termo técnico é discutido, mas o problema é o estigma que ele esconde, não o afeto. (29,9% marcaram)

  • E

    A inquietação é sobre a origem do irmão (“filho de quem?”), não sobre a relação entre os dois. (11,1% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.166.666 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIMédiaParâmetro B: 639 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 6ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram29,2%dos candidatos marcaram a A
Habilidade 17 · Competência 5Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Como os candidatos responderam
  • A29,2% ✓ gabarito
  • B16%
  • C13,2%
  • D29,9% mais marcada
  • E11,1%

Em branco: 0,4% · Mais de uma marcada: 0,1%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50019%
  • 500 a 60030,8%
  • 600 a 70048,5%
  • 700 ou mais63,1%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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