Questão 110 do Enem 2024: falsa-coral e o mimetismo
Nos outros cadernos: amarelo 133 · verde 91 · cinza 105
O Cerrado e a Amazônia abrigam grande número de serpentes popularmente conhecidas como cobras-corais. Na Amazônia predominam as corais-verdadeiras, que são peçonhentas, enquanto no Cerrado prevalecem as falsas-corais, que não possuem peçonha. Essas espécies apresentam um padrão de coloração muito semelhante. Essa similaridade traz uma vantagem tanto para as corais falsas como para as verdadeiras.
FRANÇA, F. G. R. [...] serpentes corais em ambientes campestres, savânicos e florestais da América do Sul. Brasília: UnB, 2008 (adaptado).
Nas fotografias, são apresentados exemplos dessas serpentes: uma coral-verdadeira e uma falsa-coral.

SILVA, L. C.; COTTA, G. A.; RESENDE, F. C. Cobra-coral: aplicativo educativo para reconhecimento das cobras-corais do estado de Minas Gerais, Brasil. Herpetologia Brasileira, n. 1, 2021 (adaptado).
Qual é a vantagem dessa similaridade para as falsas-corais?
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
A falsa-coral não tem peçonha, mas é muito parecida com a coral-verdadeira, que tem. A pergunta é: o que a falsa-coral ganha com isso?
Mimetismo: copiar quem é perigoso
As cores fortes da coral-verdadeira funcionam como um aviso: predadores que já tiveram contato com ela, ou que herdaram o instinto de evitar esse padrão, aprendem que aquelas cores significam perigo. Isso se chama coloração de advertência (aposematismo).
A falsa-coral se aproveita desse aviso sem ter o veneno. Um predador que vê os anéis vermelhos, pretos e brancos tende a evitar o ataque, sem saber que aquela é a inofensiva. Esse tipo de imitação, em que uma espécie inofensiva se parece com uma perigosa, é o mimetismo batesiano.
Resultado para a falsa-coral: menos chance de ser atacada.
E a vantagem para a coral-verdadeira, citada no texto? Quanto mais predadores aprendem a evitar aquele padrão de cores, menos ataques todas as cobras com esse padrão sofrem.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
As cores fortes não ajudam a caçar: elas deixam a cobra mais visível, não camuflada. A vantagem é na defesa, não no ataque. (11,9% marcaram)
- B
Parecer com outra espécie não muda o que cada uma come nem onde vive. A competição continua igual. (5,4% marcaram)
- C
Corais-verdadeiras e falsas-corais são de espécies (e até famílias) diferentes. Elas não cruzam entre si, e a semelhança não tem a ver com reprodução. (7,3% marcaram)
- E
A semelhança é com outra espécie. Para achar parceiro, o que importa é ser reconhecido pela própria espécie, e isso a coloração parecida com a da coral-verdadeira não melhora. (7,1% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.002.203 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,1% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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