Questão 36 do Enem 2022 PPL: o discurso de Ulysses Guimarães
Nos outros cadernos: amarelo 24 · rosa 11 · branco 14 · laranja 14
Trechos do discurso de Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição em 1988
Senhoras e senhores constituintes.
Dois de fevereiro de 1987. Ecoam nesta sala as reivindicações das ruas. A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. São palavras constantes do discurso de posse como presidente da Assembleia Nacional Constituinte.
Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange à Constituição, a Nação mudou. A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes. Mudou restaurando a federação, mudou quando quer mudar o homem cidadão. E é só cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa.
A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo.
A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca.
Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o Estatuto do Homem, da Liberdade e da Democracia, bradamos por imposição de sua honra.
Nós, os legisladores, ampliamos os nossos deveres. Teremos de honrá-los. A Nação repudia a preguiça, a negligência e a inépcia.
O povo é o superlegislador habilitado a rejeitar pelo referendo os projetos aprovados pelo Parlamento.
Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora.
Termino com as palavras com que comecei esta fala.
A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança.
Que a promulgação seja o nosso grito.
Mudar para vencer. Muda, Brasil!
Disponível em: www.senadofederal.br. Acesso em: 30 out. 2021.
O discurso de Ulysses Guimarães apresenta características de duas funções da linguagem: ora revela a subjetividade de quem vive um momento histórico, ora busca informar a população sobre a Carta Magna. Essas duas funções manifestam-se, respectivamente, nos trechos:
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Quais trechos mostram, nessa ordem, a função emotiva e a referencial.
O que o texto diz
- “Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo.” — sentimento de quem participou.
- “A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes.” — informação sobre o texto constitucional.
A resposta
O primeiro trecho de B revela a subjetividade (função emotiva); o segundo informa sobre a Carta (função referencial). A ordem bate.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O primeiro trecho informa; não expressa sentimento. (20,4% marcaram)
- C
Foi a errada mais marcada. O segundo trecho fala dos deveres dos legisladores, não informa sobre a Constituição. (28,5% marcaram)
- D
O primeiro é informativo; o segundo é metalinguístico. (6% marcaram)
- E
O segundo é apelo, não informação. (10,1% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 937 candidatos que fizeram a prova.
Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.
Em branco: 0% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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