Questão 17 do Enem 2021: racismo no futebol e Paulo César Lima
Nos outros cadernos: amarelo 37 · branco 24 · rosa 26
A história do futebol brasileiro contém, ao longo de um século, registros de episódios racistas. Eis o paradoxo: se, de um lado, a atividade futebolística era depreciada aos olhos da “boa sociedade” como profissão destinada aos pobres, negros e marginais, de outro, achava-se investida do poder de representar e projetar a nação em escala mundial. A Copa do Mundo no Brasil, em 1950, viria a se constituir, nesse sentido, em uma rara oportunidade. Contudo, na decisão contra o Uruguai sobreveio o inesperado revés. As crônicas esportivas elegiam o goleiro Barbosa e o defensor Bigode como bodes expiatórios, “descarregando nas costas” dos jogadores os “prejuízos” da derrota. Uma chibata moral, eis a sentença proferida no tribunal dos brancos. Nos anos 1970, por não atender às expectativas normativas suscitadas pelo estereótipo do “bom negro”, Paulo César Lima foi classificado como “jogador-problema”. Ele esboçava a revolta da chibata no futebol brasileiro. Enquanto Barbosa e Bigode, sem alternativa, suportaram o linchamento moral na derrota de 1950, Paulo César contra-atacava os que pretendiam condená-lo pelo insucesso de 1974. O jogador assumia as cores e as causas defendidas pela esquadra dos pretos em todas as esferas da vida social. “Sinto na pele esse racismo subjacente”, revelou à imprensa francesa: “Isto é, ninguém ousa pronunciar a palavra ‘racismo’. Mas posso garantir que ele existe, mesmo na Seleção Brasileira”. Sua ousadia consistiu em pronunciar a palavra interdita no espaço simbólico do discurso oficial para reafirmar o mito da democracia racial.
Disponível em: https://observatorioracialfutebol.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).
O texto atribui o enfraquecimento do mito da democracia racial no futebol à
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Resolução comentada
O que a questão pede
A que o texto atribui o enfraquecimento do mito da democracia racial.
O que o texto diz
- Barbosa e Bigode “suportaram o linchamento moral”; Paulo César “contra-atacava”.
- “Sua ousadia consistiu em pronunciar a palavra interdita”.
A resposta
Enquanto outros jogadores aguentaram calados, Paulo César disse que havia racismo até na Seleção. Foi a atitude contestadora de um “jogador-problema” que abalou o mito.
Alternativa E.
E Gabarito: alternativa E
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Culpar Barbosa e Bigode foi expressão do racismo, não o que o enfraqueceu. (28,8% marcaram)
- B
A projeção da nação é o paradoxo inicial, não a causa. (13,3% marcaram)
- C
A depreciação também sustentava o preconceito. (9,9% marcaram)
- D
Foi a mais marcada. A interdição protegia o mito; quebrá-la é que o enfraqueceu. (29,2% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 2.299.643 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,5% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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