Questão 34 do Enem 2020 Digital: as cartas como objeto de pesquisa
Cartas se caracterizam por serem textos efêmeros, inscritas no tempo de sua produção e escritas, muitas vezes, no papel que se tem à mão. Por isso, frequentemente, salvo um esforço dos próprios missivistas ou de terceiros, preocupados em preservá-las, facilmente desaparecem, seja pelo corriqueiro de seu conteúdo, seja pela sua fragilidade material. Nem sempre é assim, porém. Temos assistido, nestas duas décadas do século XXI, a um grande interesse pelas chamadas écritures du moi (“escritas do eu”, na expressão de Georges Gusdorf): nunca se estudaram tantas memórias, diários, cartas, quanto nesses últimos tempos. Publicações de memórias, diários, cartas sempre houve. Estudos, no entanto, que os enxergassem como objetos de pesquisa, e não como auxiliares para a interpretação da obra de um escritor, como protagonistas, e não como coadjuvantes, eram raros.
Nesse sentido, engana-se quem abre o volume Cartas provincianas: correspondência entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, lançado pela Global Editora, e julga deparar-se apenas com um livro de cartas. A organizadora preocupou-se em contextualizar cada uma das 68 cartas, em um trabalho cuidadoso e pormenorizado de reconstituição das condições de produção de cada uma delas, um verdadeiro resgate.
TIN, E. Diálogos intermitentes. Pesquisa Fapesp, n. 259, set. 2017.
De acordo com o texto, o gênero carta tem assumido a função social de material de cunho científico por
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Resolução comentada
O que a questão pede
Por que a carta passou a ser material de pesquisa.
O que o texto diz
- As “escritas do eu” passaram a ser estudadas “como protagonistas, e não como coadjuvantes”.
- Cartas provincianas reúne 68 cartas de Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, contextualizadas uma a uma.
A resposta
Esta questão ficou fora do cálculo da nota pelo Inep. O gabarito oficial considera que as cartas de grandes escritores, reunidas e estudadas em livro, ganham valor científico por fazer parte do acervo literário do país.
Alternativa E.
E Gabarito: alternativa E
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O estilo dos autores não é o motivo apontado. (13,4% marcaram)
- B
Os interlocutores são famosos, mas o valor vem do contexto reconstituído. (23,5% marcaram)
- C
As cartas são frágeis; a pesquisa é que as preserva. (20,6% marcaram)
- D
Foi a mais marcada. O texto fala das condições de produção de cada carta, não de um momento histórico amplo. (32,5% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 28.805 candidatos que fizeram a prova.
O Inep tirou esta questão do cálculo da nota (anulado pela tri): ela continua com gabarito, mas acertar ou errar não mudou a nota de ninguém. Por isso ela não tem parâmetros da TRI.
Em branco: 0,7% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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