Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 110 do Enem 2016: Pérolas absolutas

Enem 2016 · 2º dia · caderno azul · Literatura · Literatura contemporânea

Nos outros cadernos: amarelo 119 · rosa 127 · cinza 113

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C concebe a criação literária como trabalho progressivo e de autoconhecimento.

Pérolas absolutas

Há, no seio de uma ostra, um movimento — ainda que imperceptível. Qualquer coisa imiscuiu-se pela fissura, uma partícula qualquer, diminuta e invisível. Venceu as paredes lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o núcleo da ostra, contaminando-lhe a própria substância. A ostra reage, imediatamente. E começa a secretar o nácar. É um mecanismo de defesa, uma tentativa de purificação contra a partícula invasora. Com uma paciência de fundo de mar, a ostra profanada continua seu trabalho incansável, secretando por anos a fio o nácar que aos poucos se vai solidificando. É dessa solidificação que nascem as pérolas.

As pérolas são, assim, o resultado de uma contaminação. A arte por vezes também. A arte é quase sempre a transformação da dor. [...] Escrever é preciso. É preciso continuar secretando o nácar, formar a pérola que talvez seja imperfeita, que talvez jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo do mar. Talvez estas, as pérolas esquecidas, jamais achadas, as pérolas intocadas e por isso absolutas em si mesmas, guardem em si uma parcela faiscante da eternidade.

SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de Janeiro: Record, 2009 (fragmento).

Considerando os aspectos estéticos e semânticos presentes no texto, a imagem da pérola configura uma percepção que

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

Que percepção a imagem da pérola constrói.

O que o texto diz

“Com uma paciência de fundo de mar, a ostra […] continua seu trabalho incansável, secretando por anos a fio o nácar que aos poucos se vai solidificando”; “A arte é quase sempre a transformação da dor.”

A resposta

A pérola nasce devagar, camada por camada, de algo que vem de dentro reagindo à dor. A escrita é vista assim: trabalho progressivo e de autoconhecimento.

Alternativa C.

C Gabarito: alternativa C

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    Foi a mais marcada. A dor é ponto de partida, não um valor; o esquecimento é só possibilidade. (36% marcaram)

  • B

    Não há busca do novo. (14,1% marcaram)

  • D

    O trabalho é paciente e voluntário (“É preciso”). (12,6% marcaram)

  • E

    A partícula é invasora, não estímulo ao inusitado. (16,8% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.689.442 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIDifícilParâmetro B: 742 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 3ª mais difícil de 48 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram20%dos candidatos marcaram a C
Habilidade 16 · Competência 5Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
Como os candidatos responderam
  • A36% mais marcada
  • B14,1%
  • C20% ✓ gabarito
  • D12,6%
  • E16,8%

Em branco: 0,4% · Mais de uma marcada: 0,1%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50017,6%
  • 500 a 60019,1%
  • 600 a 70030,9%
  • 700 ou mais42,1%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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