Questão 119 do Enem 2015: À garrafa, de José Paulo Paes
Nos outros cadernos: amarelo 123 · cinza 109 · rosa 101
À garrafa
Contigo adquiro a astúcia
de conter e de conter-me.
Teu estreito gargalo
é uma lição de angústia.
Por translúcida pões
o dentro fora e o fora dentro
para que a forma se cumpra
e o espaço ressoe.
Até que, farta da constante
prisão da forma, saltes
da mão para o chão
e te estilhaces, suicida,
numa explosão
de diamantes.
PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.
A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a)
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Como o poema reflete sobre o fazer poético.
O que o texto diz
“Contigo adquiro a astúcia / de conter e de conter-me”; “farta da constante / prisão da forma”; “numa explosão / de diamantes”.
A resposta
A garrafa é o poema: primeiro contém, dá forma; depois se rompe e vira brilho. É um processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
A transparência não indica limitação. (15,9% marcaram)
- B
A forma é prisão de que se liberta, não regra a obedecer. (15,9% marcaram)
- C
O fim é brilho (“diamantes”), não pessimismo. (15,5% marcaram)
- E
Foi a mais marcada. A poesia não é a prisão: ela é o que explode em diamantes. (33,2% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.618.625 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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