Questão 101 do Enem 2014: Lya Luft e a crônica
Nos outros cadernos: amarelo 133 · cinza 98 · rosa 130
Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar: moderna demais, antiquada demais. Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo — também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério... mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.
LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o elemento
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
A função correta de um dos elementos coesivos.
O que o texto diz
“Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal”.
A resposta
“Nisso” aponta para o que vem logo depois: o ato de escrever crônica. O elemento “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.
Alternativa A.
A Gabarito: alternativa A
Por que as outras alternativas estão erradas
- B
Foi a errada mais marcada. “meio assim” é vago; “como me botarem no colo” fala dos estímulos. (18,1% marcaram)
- C
“isso” retoma “botar a cara na janela”. (12,6% marcaram)
- D
“alguns” retoma os leitores que reclamam. (11,8% marcaram)
- E
“essa brincadeira séria” é a escrita das crônicas. (13,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.977.729 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,2%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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