Questão 116 do Enem 2014 (reaplicação): os deslimites de Manoel de Barros
Retrato do artista quando coisa
A menina apareceu grávida de um gavião.
Veio falou para a mãe: o gavião me desmoçou.
A mãe disse: Você vai parir uma árvore para
a gente comer goiaba nela.
E comeram goiaba.
Naquele tempo de dantes não havia limites
para ser.
Se a gente encostava em ser ave ganhava o
poder de alçar.
Se a gente falasse a partir de um córrego
a gente pegava murmúrios.
Não havia comportamento de estar.
Urubus conversavam sobre auroras.
Pessoas viravam árvore.
Pedras viravam rouxinóis.
Depois veio a ordem das coisas e as pedras
têm que rolar seu destino de pedra para o resto
dos tempos.
Só as palavras não foram castigadas com
a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com seus deslimites.
BARROS, M. Retrato do Artista Quando Coisa. Rio de Janeiro: Record, 1998.
No poema, observam-se os itens lexicais desmoçou e deslimites. O mecanismo linguístico que os originou corresponde ao processo de
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Resolução comentada
O que a questão pede
O processo que formou “desmoçou” e “deslimites”.
O que o texto diz
“o gavião me desmoçou”; “As palavras continuam com seus deslimites.”
A resposta
O poeta junta o prefixo “des-” a palavras que não o aceitam no uso comum, criando palavras novas. É neologismo, que consiste na inovação lexical, usada para o refinamento estilístico do texto poético.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
As palavras são formadas em português.
- C
Não são palavras antigas.
- D
Não são termos regionais brasileiros.
- E
Não são termos técnicos.
Raio-X da questão
Dados oficiais do Inep. Os microdados desta aplicação não trazem as respostas dos candidatos, então aparecem só a dificuldade pela TRI e a habilidade avaliada.
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