Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 104 do Enem 2013: Lusofonia, de Nuno Júdice

Enem 2013 · 2º dia · caderno azul · Literatura · Literatura contemporânea

Nos outros cadernos: amarelo 133 · cinza 130 · rosa 124

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D tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

Lusofonia

rapariga: s.f., fem. de rapaz: mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena de café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar o
atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma
rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

JÚDICE, N. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.

O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética. Seu caráter metalinguístico justifica-se pela

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

O que justifica o caráter metalinguístico.

O que o texto diz

“Escrevo um poema sobre a rapariga […] Mas não posso escrever este poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal.”

A resposta

O poema fala do próprio poema e da escolha de suas palavras. A metalinguagem está na tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

Alternativa D.

D Gabarito: alternativa D

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    A dificuldade é de vocabulário, não de inovação. (22,3% marcaram)

  • B

    Não defende movimento. (8,8% marcaram)

  • C

    Cotidiano não é metalinguagem. (17,8% marcaram)

  • E

    Foi a errada mais marcada. Não há esse efeito discutido. (24,9% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.027.077 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIFácilParâmetro B: 584 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 17ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram25,8%dos candidatos marcaram a D
Habilidade 19 · Competência 6Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
Como os candidatos responderam
  • A22,3%
  • B8,8%
  • C17,8%
  • D25,8% ✓ gabarito
  • E24,9%

Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,2%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50015,1%
  • 500 a 60030,5%
  • 600 a 70079,2%
  • 700 ou mais99,7%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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