Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 81 do Enem 2023: Foucault e a gestão das ilegalidades

Enem 2023 · 1º dia · caderno azul · Filosofia · Filosofia contemporânea

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A gestão das ilicitudes pelo sistema judicial.

A economia das ilegalidades se reestruturou com o desenvolvimento da sociedade capitalista. A ilegalidade dos bens foi separada da ilegalidade dos direitos. Divisão que corresponde a uma oposição de classes, pois, de um lado, a ilegalidade mais acessível às classes populares será a dos bens — transferência violenta das propriedades; de outro, à burguesia, então, se reservará a ilegalidade dos direitos: a possibilidade de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; e essa grande redistribuição das ilegalidades se traduzirá até por uma especialização dos circuitos judiciários; para as ilegalidades de bens — para o roubo — os tribunais ordinários e os castigos; para as ilegalidades de direitos — fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares — jurisdições especiais com transações, acomodações, multas atenuadas etc.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

O texto apresenta uma relação de cálculo político-econômico que caracteriza o poder punitivo por meio da

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Resolução comentada

O que a questão pede

Como o poder de punir funciona, segundo o texto.

O que o texto diz

  • Ilegalidade dos bens (roubo), mais comum entre os pobres: tribunais comuns e castigos.
  • Ilegalidade dos direitos (fraude, sonegação), mais comum entre os ricos: jurisdições especiais, acordos, multas atenuadas.

A resposta

O sistema de justiça não elimina as ilegalidades: separa e administra cada tipo de forma diferente, de acordo com a classe. É a gestão das ilicitudes pelo sistema judicial.

Alternativa A.

A Gabarito: alternativa A

Por que as outras alternativas estão erradas

  • B

    É o oposto: as punições são diferentes conforme a classe. (10,9% marcaram)

  • C

    Os crimes dos ricos recebem multas atenuadas, e não punição severa. (15,4% marcaram)

  • D

    Foi a errada mais marcada. Não há justiça social; há privilégio. (25,8% marcaram)

  • E

    A divisão é de classe e passa pelo Judiciário, e não pela cultura. (16,1% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 2.817.512 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIDifícilParâmetro B: 738 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 2ª mais difícil de 45 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram30,7%dos candidatos marcaram a A
Habilidade 12 · Competência 3Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.
Como os candidatos responderam
  • A30,7% ✓ gabarito
  • B10,9%
  • C15,4%
  • D25,8%
  • E16,1%

Em branco: 1,1% · Mais de uma marcada: 0%

Quanto acertaram, por nota em Ciências Humanas
  • abaixo de 50024,6%
  • 500 a 60031,2%
  • 600 a 70039,9%
  • 700 ou mais59,9%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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