Questão 31 do Enem 2023: “Migalhas”, de Ana Martins Marques
Nos outros cadernos: amarelo 14 · rosa 22 · branco 28 · laranja 22 · leitor tela 22
Migalhas
Entre a toalha branca e um bule de café
seria inapropriado dizer
eu não te amo mais.
Era necessário algo mais solene,
um jardim japonês
para as perdas pensadas,
um noturno de tempestade
para arrebentar de dor,
uma praia de pedras para chorar
em silêncio, uma cama alta
para o incenso da despedida,
uma janela
dando para o abismo.
No entanto você abaixa os olhos
e recolhe lentamente as migalhas de pão
sobre a mesa posta para dois.
MARQUES, A. M. A vida submarina. São Paulo: Cia. das Letras, 2021.
Nesse poema, a representação do sentimento amoroso recupera a tradição lírica, mas se ajusta à visão contemporânea ao
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Como o poema atualiza a tradição lírica.
O que o texto diz
- O fim do amor “merecia” cenários românticos: jardim japonês, tempestade, praia de pedras, janela para o abismo.
- “No entanto”, tudo acontece à mesa do café, enquanto o outro recolhe migalhas.
A resposta
O poema evoca os cenários da lírica tradicional, mas põe o rompimento num gesto banal do dia a dia. Ele se ajusta ao contemporâneo ao diluir em banalidade a comoção de um amor frustrado.
Alternativa C.
C Gabarito: alternativa C
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O interlocutor não é chamado a decidir nada. (10,4% marcaram)
- B
O amor não é posto em dúvida, só termina. (14,2% marcaram)
- D
Não há paz, há silêncio e tristeza contidos. (17,9% marcaram)
- E
Foi a errada mais marcada. Os cenários idealizados são justamente os que não acontecem. (19,7% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 2.816.239 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,5% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
Mais questões de literatura contemporânea
- 2025 PPL · Q13Paulo Leminski e a poesia marginal: “Como abater uma nuvem a tiros”
- 2025 PPL · Q18José Falero: “Ninguém nunca está pronto” na periferia
- 2025 COP30 (Belém) · Q19“Manual de tapeçaria”: o discurso rebuscado da diretora às mães
- 2025 COP30 (Belém) · Q20“A casa das sete mulheres”: Maria Manuela e o casamento das filhas
- 2025 PPL · Q22“Cacos para um vitral”, de Adélia Prado: o velho da roça e o vendedor
- 2025 COP30 (Belém) · Q23“A borboleta azul”, de Geovani Martins: o discurso indireto livre
