Questão 71 do Enem 2023 PPL: a história de Páscoa Vieira
Nos outros cadernos: amarelo 76 · branco 48 · rosa 66 · laranja 66 · leitor tela 66
TEXTO I
Páscoa Vieira (século XVII)
Nasceu em Massangano, no interior do atual território de Angola, em 1658, filha de cativos, sendo ela própria serva de uma senhora chamada Domingas de Carvalho, que a batizou e realizou o seu casamento com outro cativo da mesma propriedade, de nome Aleixo. Em 1695, foi vendida e embarcada para Salvador. Anos mais tarde, estabeleceu relações conjugais com o cativo Pedro Ardas, motivo pelo qual no ano de 1700 foi denunciada à Inquisição de Lisboa.
Disponível em: www.ufrgs.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado).
TEXTO II
Páscoa possuía várias culturas, duas línguas (o quimbundo e o português). A cultura africana de sua infância e juventude foi pouco evocada no processo; em contrapartida, demonstrou um conhecimento aprofundado do catolicismo romano. Seu marido na Bahia vinha de outra África, diferente da sua, de um universo cultural e linguístico diverso. Ela morava em Salvador, mas seu destino foi decidido em Lisboa, sede do tribunal que a condenou e iria modificar o curso de sua vida.
CASTELNAU-L'ESTOILE, C. Páscoa Vieira diante da Inquisição: uma escrava entre Angola, Brasil e Portugal no século XVII. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020 (adaptado).
Qual a relevância do estudo das relações de poder apresentadas nos textos?
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Por que é importante estudar a história de Páscoa Vieira.
O que os textos mostram
Uma mulher escravizada, nascida em Angola, vendida para a Bahia e julgada pela Inquisição em Lisboa. Sua vida só é conhecida porque ficou registrada no processo.
A resposta
Pessoas escravizadas raramente aparecem com nome e história nos documentos. Estudar o processo de Páscoa permite conhecer sua vida, suas línguas e suas escolhas. A relevância está em retirar a personagem do anonimato.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Foi a mais marcada. Páscoa não era líder de nenhum movimento. (25,6% marcaram)
- B
Ela era cativa, e não liberta. (12,9% marcaram)
- C
Ela conhecia profundamente o catolicismo; não era pagã. (13,7% marcaram)
- E
A história mostra opressão, e não inclusão. (23,9% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.131 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,8% · Mais de uma marcada: 0%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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