Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 16 do Enem 2022 PPL: “Memorial do fim”, de Haroldo Maranhão

Enem 2022 PPL · 1º dia · caderno azul · Literatura · Literatura contemporânea

Nos outros cadernos: amarelo 29 · rosa 19 · branco 36 · laranja 36

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D assumir a perspectiva irônica e o estilo narrativo do personagem.

Duas castas de considerações fez de si para consigo o cauto Conselheiro. Primeiramente foi saltar-lhe ao nariz a evidência de que ministro não visita empregado público, ainda que in extremis, mesmo a uma braça, ou duas, acima do chapéu do amanuense mais bisonho. Também não visita escritor enfermo por ser escritor, e por estar enfermo. Seriam trabalhos, ambos, a que não se daria um ministro, nem sempre ocupado das cousas, altas ou baixas, do Estado.

O tempo ministerial não se vai perdulariamente, não se faz em farinhas. Os titulares esquivam-se até a suspirar, que os suspiros implicam o desperdício de minutos se o suspiro é de minutos, além de permitirem ilações perigosas sobre a estabilidade do ministro, quando não do próprio gabinete.

A segunda ponderação remeteu-o à certeza de que terminantemente chegavam ao cabo seus dias; e de que as esperanças eram aéreas, atado agora à cama até que o encerrassem na urna, como um voto eleitoral frio.

MARANHÃO, H. Memorial do fim: a morte de Machado de Assis. São Paulo: Marco Zero, 1991.

O texto relata o momento em que, no leito de morte, Machado de Assis recebe a visita do Barão do Rio Branco, ministro de Estado. Criando a cena, o narrador obtém expressividade ao

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

Como o narrador ganha expressividade.

O que o texto diz

“ministro não visita empregado público”; “Os titulares esquivam-se até a suspirar, que os suspiros implicam o desperdício de minutos”; o caixão como “urna, como um voto eleitoral frio”.

A resposta

O narrador escreve à maneira de Machado, com ironia sobre a vaidade dos poderosos e até sobre a própria morte. Ganha expressividade ao assumir a perspectiva irônica e o estilo narrativo do personagem.

Alternativa D.

D Gabarito: alternativa D

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    É ficção sobre o fato, não registro fiel. (7,7% marcaram)

  • B

    O tom é irônico, não dramático. (27,4% marcaram)

  • C

    A sensibilidade não é o foco; a ironia é. (7% marcaram)

  • E

    As comparações são irônicas (“urna, como um voto eleitoral frio”), não filosóficas. (28,8% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 937 candidatos que fizeram a prova.

Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.

Dificuldade pela TRIDifícilParâmetro B: 719 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 4ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram28,7%dos candidatos marcaram a D
Habilidade 16 · Competência 5Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
Como os candidatos responderam
  • A7,7%
  • B27,4%
  • C7%
  • D28,7% ✓ gabarito
  • E28,8% mais marcada

Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50016,6%
  • 500 a 60023,1%
  • 600 a 70042,9%
  • 700 ou mais40%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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