Questão 76 do Enem 2019: Arendt e a irrealidade dos campos
Nos outros cadernos: amarelo 86 · branco 74 · rosa 65 · laranja 86
Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora, os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado).
A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à naturalização do(a)
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Resolução comentada
O que a questão pede
O que Arendt critica.
O que o texto diz
O campo separa os detentos do mundo, e essa “irrealidade” leva à “aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal”.
A resposta
Isolar grupos humanos e decidir quem vive e quem morre é um projeto de controle sobre a vida (biopolítica). A crítica é à naturalização da segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O foco é o campo, e não o nacionalismo em geral. (17,2% marcaram)
- B
Foi a mais marcada. Não se trata de justificar ações individuais. (29,7% marcaram)
- C
Religião não é o tema. (11,7% marcaram)
- E
O texto fala de extermínio, e não de punição cultural. (21,3% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.923.046 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,6% · Mais de uma marcada: 0,2%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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