Questão 39 do Enem 2019: “Essa lua enlutada”, de Hilda Hilst
Nos outros cadernos: amarelo 35 · rosa 20 · branco 21 · laranja 35
Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas na ponta dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Umas manhãs de vidro
Vento, a alma esvaziada, um sol que não vejo
Também isso te devo.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
No poema, o eu lírico faz um inventário de estados passados espelhados no presente. Nesse processo, aflora o
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que aflora do inventário feito pelo eu lírico.
O que o texto diz
- “Tudo isso te devo”, depois da lista de dores.
- Os grandes planos (“navios, / Muralhas de marfim”) “se desfez no pórtico do tempo”.
- “Também isso te devo.”
A resposta
O eu lírico “agradece” ao outro pela dor, com ironia, e olha para o passado sem se agarrar a ele. Aflora o amadurecimento revestido de ironia e desapego.
Alternativa B.
B Gabarito: alternativa B
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O eu lírico lembra tudo, não apaga. (18,3% marcaram)
- C
O inventário é de dores e planos desfeitos. (6,4% marcaram)
- D
Não há delírio. (23,9% marcaram)
- E
Não há culpa própria; há cobrança irônica. (23,9% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.923.046 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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