Questão 129 do Enem 2015: Aquarela, de Cacaso
Nos outros cadernos: amarelo 133 · cinza 99 · rosa 104
Aquarela
O corpo no cavalete
é um pássaro que agoniza
exausto do próprio grito.
As vísceras vasculhadas
principiam a contagem
regressiva.
No assoalho o sangue
se decompõe em matizes
que a brisa beija e balança:
o verde – de nossas matas
o amarelo – de nosso ouro
o azul – de nosso céu
o branco o negro o negro
CACASO. In: HOLLANDA, H. B. (Org.). 26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007.
Situado na vigência do Regime Militar que governou o Brasil, na década de 1970, o poema de Cacaso edifica uma forma de resistência e protesto a esse período, metaforizando
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
O que o poema metaforiza.
O que o texto diz
“O corpo no cavalete / é um pássaro que agoniza”; “o sangue / se decompõe em matizes”: verde, amarelo, azul, branco — e “o negro o negro”.
A resposta
As cores da bandeira saem do sangue de um torturado, e o branco termina em luto. O poema metaforiza o emblema nacional, transfigurado pelas marcas do medo e da violência.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
A aquarela é imagem, não tema. (11,9% marcaram)
- B
Foi a errada mais marcada. O pássaro é o corpo torturado. (21,8% marcaram)
- C
O nacionalismo é ironizado, não silenciado. (15,9% marcaram)
- E
Ouro e matas são cores da bandeira, não riquezas espoliadas. (14,1% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 5.618.625 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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