Questão 121 do Enem 2015 PPL: a coisa mais fina do mundo
Nos outros cadernos: cinza 125 · amarelo 125 · rosa 117
Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
PRADO, A. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991.
Um dos procedimentos consagrados pelo Modernismo foi a percepção de um lirismo presente nas cenas e fatos do cotidiano. No poema de Adélia Prado, o eu lírico resgata a poesia desses elementos a partir do(a)
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
De onde vem a poesia do cotidiano no poema.
O que o texto diz
“Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. / Não me falou em amor. / Essa palavra de luxo.”
A resposta
A mãe não diz “amor”, mas o mostra ao preparar a comida e a água quente para o marido cansado. A poesia vem do reconhecimento do amor num gesto de aparente banalidade.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
Não há ironia. (15,5% marcaram)
- B
Foi a errada mais marcada. A mãe também tem sentimento, ainda que sem dizê-lo. (25,6% marcaram)
- C
Quem se comove com o pai é a mãe. (20,7% marcaram)
- E
O afeto não está abafado; está no gesto. (9,2% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 3.896 candidatos que fizeram a prova.
Esta aplicação teve poucos candidatos, então as porcentagens oscilam mais do que na prova regular.
Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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