Questão 113 do Enem 2012: Pote Cru é meu pastor
Nos outros cadernos: amarelo 122 · cinza 116 · rosa 117
Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará.
Ele está comprometido de monge.
De tarde deambula no azedal entre torsos de
cachorro, trampas, trapos, panos de regra, couros,
de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas
albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos,
linguetas de sapatos, aranhas dependuradas em
gotas de orvalho etc. etc.
Pote Cru, ele dormia nas ruínas de um convento
Foi encontrado em osso.
Ele tinha uma voz de oratórios perdidos.
BARROS, M. Retrato do artista quando coisa. Rio de Janeiro: Record, 2002.
Ao estabelecer uma relação com o texto bíblico nesse poema, o eu lírico identifica-se com Pote Cru porque
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Por que o eu lírico se identifica com Pote Cru.
O que o texto diz
“Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará.”; “deambula no azedal entre torsos de cachorro, trampas, trapos […] baratas albinas, dálias secas”.
A resposta
O salmo vira guia pelo lixo: o pastor conduz ao que ninguém valoriza, matéria-prima da poesia de Manoel. O eu lírico acompanha-o na opção pela insignificância das coisas.
Alternativa E.
E Gabarito: alternativa E
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
A voz é atributo de Pote Cru, não regra. (14,9% marcaram)
- B
Não há salvação divina. (23,5% marcaram)
- C
Foi a mais marcada. Não se fala em tradição. (26,9% marcaram)
- D
Não são coisas da natureza a descobrir. (14,7% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 4.093.459 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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