Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 110 do Enem 2012: Cabeludinho, de Manoel de Barros

Enem 2012 · 2º dia · caderno azul · Literatura · Literatura contemporânea

Nos outros cadernos: amarelo 117 · cinza 111 · rosa 120

Só quer conferir? Ver o gabarito

E a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos coloquiais da linguagem.

Cabeludinho

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003.

No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes possibilidades de uso da língua e sobre os sentidos que esses usos podem produzir, a exemplo das expressões “voltou de ateu”, “disilimina esse” e “eu não sei a ler”. Com essa reflexão, o autor destaca

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

O que o autor destaca.

O que o texto diz

“aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra”; “Aprendi nessas férias a brincar de palavras”; “Aquele a preposto ao verbo ler […] ampliava a solidão do vaqueiro.”

A resposta

Cada desvio vira graça ou poesia aos ouvidos do narrador. Ele destaca a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos coloquiais da linguagem.

Alternativa E.

E Gabarito: alternativa E

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    Ele não os trata como erros. (17,5% marcaram)

  • B

    O foco não é gramatical. (19,6% marcaram)

  • C

    Foi a mais marcada. Não há distinção normativa. (26,7% marcaram)

  • D

    O foco não é o relato. (10,6% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 4.093.459 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIFácilParâmetro B: 589 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 24ª mais difícil de 50 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram25,2%dos candidatos marcaram a E
Habilidade 26 · Competência 8Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
Como os candidatos responderam
  • A17,5%
  • B19,6%
  • C26,7% mais marcada
  • D10,6%
  • E25,2% ✓ gabarito

Em branco: 0,2% · Mais de uma marcada: 0,1%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50013,8%
  • 500 a 60030,3%
  • 600 a 70080,5%
  • 700 ou mais99,6%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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