Espaço da Física · Prof. Flávio

Questão 132 do Enem 2009: Um copo de cólera

Enem 2009 · 2º dia · caderno azul · Literatura · Literatura contemporânea

Nos outros cadernos: amarelo 133 · cinza 132 · rosa 130

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D evidencia uma crítica à sociedade em que vivem os personagens, por meio de fluxo verbal contínuo de tom agressivo.

Texto I

[...] já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia a existência escandalosa de imaginados valores, coluna vertebral de toda ‘ordem’; mas não tive sequer o sopro necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o sufoco; é esta consciência que me libera, é ela hoje que me empurra, são outras agora minhas preocupações, é hoje outro o meu universo de problemas; num mundo estapafúrdio — definitivamente fora de foco — cedo ou tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e você que vive paparicando as ciências humanas, nem suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o mundo dos valores, ninguém arruma a casa do capeta; me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi o exílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes [...].

NASSAR, R. Um copo de cólera. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Texto II

Raduan Nassar lançou a novela Um Copo de Cólera em 1978, fervilhante narrativa de um confronto verbal entre amantes, em que a fúria das palavras cortantes se estilhaçava no ar. O embate conjugal ecoava o autoritário discurso do poder e da submissão de um Brasil que vivia sob o jugo da ditadura militar.

COMODO, R. Um silêncio inquietante. IstoÉ. Disponível em: http://www.terra.com.br. Acesso em: 15 jul. 2009.

Na novela Um Copo de Cólera, o autor lança mão de recursos estilísticos e expressivos típicos da literatura produzida na década de 70 do século passado no Brasil, que, nas palavras do crítico Antonio Candido, aliam “vanguarda estética e amargura política”. Com relação à temática abordada e à concepção narrativa da novela, o texto I

Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.

Resolução comentada

O que a questão pede

Temática e forma narrativa do Texto I.

O que o texto diz

Um período sem ponto, com ponto e vírgula encadeando ataques: “impossível ordenar o mundo dos valores”; “me lixo com tudo isso!”

A resposta

A fala jorra sem pausa e despreza as instituições. O texto evidencia uma crítica à sociedade em que vivem os personagens, por meio de fluxo verbal contínuo de tom agressivo.

Alternativa D.

D Gabarito: alternativa D

Por que as outras alternativas estão erradas

  • A

    É primeira pessoa, nada sóbria. (17,1% marcaram)

  • B

    Foi a errada mais marcada. A linguagem não é simples. (21,8% marcaram)

  • C

    Não é distanciada nem sobre urbanização. (16,3% marcaram)

  • E

    Quem fala é o homem. (14,4% marcaram)

Raio-X da questão

Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 2.435.588 candidatos que fizeram a prova.

Dificuldade pela TRIMédiaParâmetro B: 632 pontosFácil abaixo de 600, média de 600 a 700, difícil a partir de 700. É a 15ª mais difícil de 44 questões válidas desta prova. O parâmetro B, na escala de notas do Enem (500 + 100 · b), é a nota em que o candidato passa a ter mais chance de acertar a questão do que de errar, sem contar o chute.
Acertaram29,9%dos candidatos marcaram a D
Habilidade 16 · Competência 5Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
Como os candidatos responderam
  • A17,1%
  • B21,8%
  • C16,3%
  • D29,9% ✓ gabarito
  • E14,4%

Em branco: 0,3% · Mais de uma marcada: 0,2%

Quanto acertaram, por nota em Linguagens
  • abaixo de 50017%
  • 500 a 60029,5%
  • 600 a 70061,5%
  • 700 ou mais92,6%

Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.

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