Questão 46 do Enem 2025 (COP30): língua e identidade em Anzaldúa
Nos outros cadernos: amarelo 60 · branco 50 · verde 56 · laranja 50
Eu me lembro de ser mandada para o canto da sala de aula por "responder" à professora quando tudo o que eu estava tentando fazer era mostrar a ela como pronunciar meu nome. Assim, se você quer mesmo me ferir, fale mal da minha língua. A identidade étnica e a identidade linguística são unha e carne — eu sou minha língua. Eu não posso ter orgulho de mim mesma até que possa ter orgulho da minha língua. Até que eu possa aceitar como legítimos o espanhol chicano texano, o Tex-Mex, e todas as outras línguas que falo, eu não posso aceitar a minha própria legitimidade.
ANZALDÚA, G. Como domar uma língua selvagem. Cadernos de Letras da UFF, n. 39, 2009 (adaptado).
O argumento da intelectual mexicana ressalta as dificuldades impostas pela
Tente antes de ler a resolução: toque numa alternativa.
Resolução comentada
O que a questão pede
Que dificuldade a autora aponta.
O que o texto diz
- Ela foi punida na escola por tentar ensinar a pronúncia do próprio nome.
- “Eu sou minha língua”: identidade étnica e linguística andam juntas.
- Enquanto o espanhol chicano não for aceito como legítimo, ela não se sente legítima.
A resposta
Algumas línguas são tratadas como “certas” e outras como inferiores, e isso decide quem é respeitado. Falar não é só comunicar: é também uma relação de poder. É a configuração política da experiência comunicativa.
Alternativa D.
D Gabarito: alternativa D
Por que as outras alternativas estão erradas
- A
O texto fala de barreiras de língua e de identidade, não de muros. (9% marcaram)
- B
Foi a mais marcada. O problema não é ensino ruim de idiomas, e sim a língua dela ser tratada como ilegítima. (45,6% marcaram)
- C
Não há nada sobre leis ou segurança jurídica. (6% marcaram)
- E
O texto denuncia uma hierarquia entre línguas, e não uma relativização dela. (13,9% marcaram)
Raio-X da questão
Dados oficiais dos microdados do Inep: respostas de 66.577 candidatos que fizeram a prova.
Em branco: 0,8% · Mais de uma marcada: 0,1%
Quando o acerto sobe muito de uma faixa para a outra, a questão separa bem quem domina o conteúdo de quem não domina. Na TRI, isso é o parâmetro de discriminação.
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